Festa transformou Igrejinha em cidade exemplo de voluntariado; família mantém essa tradição há 28 anos

por Joceline Silveira, via Jornal NH

A maior festa comunitária do Brasil. O título não é à toa. O que torna a Oktoberfest de Igrejinha especial- mesmo em tempos de pandemia- são as pessoas envolvidas. Anualmente, desde 1988, os moradores da cidade se unem para preparar uma nova edição, e em cada festa são aproximadamente três mil voluntários envolvidos – cerca de 10% da população da cidade – que se preocupam com infraestrutura, chope, alimentação, programação, logística e tudo que é necessário para a realização do evento que já recebeu 4,4 milhões de visitantes.

Voluntários com a família Dienstmann representam o espírito do evento que se reinventou com a pandemia do novo coronavírus, e poderia ser resumido em uma palavra: doação. A entrega de tempo, trabalho e, acima de tudo, de amor. São pessoas que vivenciam a Oktoberfest o ano inteiro e adaptaram suas ações e campanhas sociais para seguir ajudando instituições de toda região. “Ser igrejinhense é sentir no coração o espírito do voluntariado e este ato de ajudar ao próximo nasceu e cresceu com a festa. Aqui as pessoas sabem que no momento que elas fazem o bem para os outros, primeiro elas fazem o bem para elas próprias”, descreve Rosemari Dienstmann, voluntária na festa há 28 anos.

Na casa dos Dienstmann o voluntariado passa de geração em geração, assim como Rosemari e o marido, Romeu, a filha do casal Rosana e o neto Bernardo, participam como voluntários. “Vivenciamos o trabalho social no nosso dia a dia e isso foi passando na família, como um legado”, conclui.

“Espírito de pertencimento”

O engajamento e o ‘espírito de pertencimento” são os grandes diferenciais da comunidade de Igrejinha, salienta o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados, Vestuário e Componentes para Calçados (Sindigrejinha), Luís Fey.

Para ele a motivação de ajudar construir uma cidade melhor une os moradores. “O fato de poder contar com um contingente grande, pois todo mundo quer ajudar, e de ser um grupo coeso e engajado explica o sucesso das nossas ações sociais e sua crescente popularização. É uma solução na qual todos saem ganhando pois as melhorias são visíveis em nosso município”

Pandemia não parou o trabalho

Pela primeira vez desde 1988, a festa não foi realizada em seu formato tradicional em 2020. Mas mesmo sem os bailes, bandinhas típicas e apresentações culturais, a Oktoberfest de Igrejinha não alterou sua essência. Apesar de a pandemia ter mudado a dinâmica de organização do evento, a solidariedade, que é marca registrada da tradicional comemoração, não parou.

A Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), responsável pela organização da festa, se reinventou e no último ano lançou a Grande Ação, uma campanha voltada a ajudar quem mais precisa. A ação tem como lema “Fazer o Bem, Faz Bem” e busca mobilizar, principalmente, os voluntários. “Pisamos nos freios e começamos a viver uma realidade totalmente diferente daquela programada. Nos reinventamos em meio a tudo o que vem ocorrendo, buscando empatia e solidariedade com a comunidade da região”, explica o presidente da Amifest, Tiago Petry, voluntário há 30 anos.

Kerb das Soberanas mudou

Sem poder realizar o Kerb das Soberanas pelo segundo ano consecutivo, a Associação dos Amigos da Oktoberfest de Igrejinha promoveu no mês de abril uma arrecadação de alimentos não-perecíveis e produtos de limpeza no parque que é o tradicional palco do festival. O evento, financiado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, estava previsto inicialmente para ocorrer em abril de 2020 e teve de ser adiado novamente. Foram beneficiadas 22 entidades em toda a região que receberam mais de 4,5 mil litros de leite, centenas de outros itens alimentícios e produtos de limpeza.

Matéria Original: https://www.jornalnh.com.br/noticias/regiao/2021/06/01/oktoberfest-ajuda-a-cidade-e-consagra-o-trabalho-voluntario.html