por Nicole Giffoni, via DCM

Nos próximos dias, o Senado vai promover uma sessão de debate sobre as causas e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. A audiência pública já preocupa a cúpula do Itamaraty.

O requerimento para o debate, de iniciativa da senadora Rose de Freitas (MDB-ES) e apoiado por outros senadores, foi aprovado na sessão da última terça-feira (8). Também foram convidados o embaixador da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, e o chanceler Carlos França.

O receio é que França seja cobrado pelo posicionamento brasileiro no conflito e se veja no meio de um uso político-eleitoral da guerra. Nesta semana, a assessoria parlamentar do Itamaraty sondou gabinetes de senadores para tentar mapear quais serão os questionamentos feitos ao chanceler. O Senado ainda não marcou a audiência, que será no plenário.

Itamaraty dividido

Com o desenrolar dos conflitos entre Rússia e Ucrânia que já atingem o oitavo dia, diplomatas brasileiros do Itamaraty têm se dividido sobre a posição adotada pelo governo Bolsonaro em relação à guerra da Ucrânia.

Nos gabinetes do chanceler, Carlos França, e do embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, o posicionamento é considerado correto, sob o argumento de que o país deve ser “realista e priorizar os interesses estratégicos do Brasil”. Caso Bolsonaro se posicionasse contra a Rússia, França e Costa Filho avaliam que o Brasil perderia a “capacidade de mediar”.

Em contrapartida, os críticos à postura brasileira defendem que o país deve abandonar a imparcialidade e defender um país em detrimento de outro. Para eles, o Brasil não tem capacidade de mediar um conflito desse tamanho, ainda mais com a estatura que tem hoje no cenário internacional.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/audiencia-guerra-ucrania-itamaraty/