Kesley Vial morava em Camboriú com a avó. ‘Ele não via a mãe há mais de 15 anos’, conta um amigo.

Kesley Vial morreu no Novo México enquanto estava sob custódia da agência americana de imigração — Foto: Reprodução/Facebook
Kesley Vial morreu no Novo México enquanto estava sob custódia da agência americana de imigração — Foto: Reprodução/Facebook

Por Clarìssa Batìstela via G1 SC

O brasileiro Kesley Vial, de 23 anos, que morreu sob custódia da agência de imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), na quarta-feira (24), atravessava a fronteira para encontrar a mãe, segundo o amigo dele, Mateus Henrique dos Santos Koch.

“Ele não via ela há mais de 15 anos. Eles praticamente iriam se conhecer de novo. Era um sonho dos dois”, relata o amigo.

O jovem era natural de São Paulo, mas morava em Camboriú, no litoral de Santa Catarina, há pelo menos 10 anos. Segundo o amigo, com quem compartilhou a adolescência, Kesley vivia com a avó no bairro Santa Regina e trabalhava em uma conveniência na cidade.

“Era muito trabalhador e muito educado. Era um cara [também] muito engraçado e, por mais que tudo desse errado, ele ria e tentava de novo”, lamenta o amigo.

Mateus Henrique com o amigo que morreu nos EUA, Kesley Vidal — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Mateus Henrique com o amigo que morreu nos EUA, Kesley Vidal — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Kesley foi detido na cidade de El Paso, no Texas, por agentes da patrulha de fronteira depois de entrar no país sem documentação. A imigração americana diz que o brasileiro teria sido capturado em 22 de abril, mas admite que a data pode não ser exata.

O órgão também disse que a autópsia vai determinar a causa da morte, ainda não confirmada.

Segundo Mateus, o amigo dele resumiu que a viagem seria primeiro para o México e, de lá, para os Estados Unidos, onde se encontraria com a mãe dele.

“Ninguém sabe ao certo ainda [o que causou a morte]. Ele não teria feito algo contra si próprio, pois era muito alegre. É muito angustiante [a espera]”, diz o amigo.

Procurado pelo g1, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) disse em nota, nesta segunda-feira (29), que está “em contato com as autoridades locais com vistas a apurar as circunstâncias do falecimento do nacional” (leia íntegra abaixo).

Entenda

Kesley foi detido na cidade de El Paso, no Texas, por agentes da patrulha de fronteira depois de entrar no país sem documentação. A imigração americana diz que o brasileiro teria sido capturado em 22 de abril, mas admite que a data pode não ser exata.

Vial foi transferido para a custódia da ICE em El Paso em 29 de abril para aguardar o seu procedimento de deportação. Enquanto o processo estava em andamento, ele foi levado para um centro de detenção em Torrance, no estado do Novo México, vizinho ao Texas.

Depois, foi encontrado inconsciente em um centro de detenção do órgão americano de imigração no Novo México em 17 de agosto e morreu em hospital na última quarta (24).

A ICE disse que notificou os órgãos apropriados a respeito da morte, incluindo o consulado brasileiro em Houston, Texas, e que está “realizando uma revisão abrangente deste incidente”. A equipe do hospital notificou os parentes mais próximos de Vial.

A agência afirmou ainda que todos os imigrantes em suas unidades de detenção recebem assistência e que destina US$ 315 milhões por ano em serviços de saúde às pessoas sob sua custódia.

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Itamaraty em contato com as autoridades locais

O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Houston, tem conhecimento do caso e está em contato com as autoridades locais com vistas a apurar as circunstâncias do falecimento do nacional.

O Consulado permanece à disposição para prestar a assistência cabível aos familiares do nacional brasileiro, em conformidade com os tratados internacionais vigentes e com a legislação local.

Em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, os consulados brasileiros poderão prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com autoridades locais e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito.

Não há previsão regulamentar e orçamentária para o pagamento do traslado com recursos públicos.

Em observância ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, informações detalhadas poderão ser repassadas somente mediante autorização dos familiares diretos. Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros.

Fonte: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2022/08/28/brasileiro-morto-nos-eua-sob-custodia-de-agencia-de-imigracao-viajava-para-visitar-mae-diz-amigo.ghtml